Conforme Paulo Roberto Gomes Fernandes, em 2023, durante a audiência pública promovida pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) para debater o acordo regulatório do gasoduto Subida da Serra, em São Paulo, a Liderroll apresentou uma solução de engenharia que trouxe nova abordagem para obras em áreas de alta declividade. A empresa desenvolveu um método construtivo baseado em estruturas treliçadas modulares e roletes motorizados, capaz de lançar dutos em ângulos extremos com maior segurança e menor impacto ambiental.
Segundo o presidente da companhia, Paulo Roberto Gomes Fernandes, o Trecho 3 do gasoduto — com inclinação entre 35 e 40 graus — inviabiliza o uso de técnicas convencionais. A nova metodologia foi concebida justamente para superar obstáculos dessa natureza, reduzindo riscos para trabalhadores e preservando a vegetação nativa.
Estrutura treliçada como “túnel artificial” para instalação dos dutos
A tecnologia apresentada pela Liderroll foi inicialmente projetada para o desafiador oleoduto Linha 5, que será instalado dentro de um túnel sob o Lago Michigan, nos Estados Unidos. Com 7 km de extensão e múltiplas inflexões severas, o projeto serviu como base para o desenvolvimento de um sistema capaz de operar em terrenos críticos.
No caso da Subida da Serra, a estrutura modular proposta atua como um “túnel guia artificial”, por onde passam tubos de 20 polegadas. As peças, com 12 metros de comprimento, são instaladas por profissionais especializados em alpinismo industrial, utilizando ferramentas específicas para montagem em série ao longo da encosta.
Os roletes motorizados integrados às treliças são responsáveis por tracionar a tubulação com controle total de velocidade, frenagem e segurança. A Liderroll realizou ensaios em escala real durante mais de um ano, testando lançamentos em inclinações de 35°, 70° e até 90°, incluindo subida e descida do duto com estabilidade plena.

Um diferencial adicional é o sistema de cremalheiras com stroller de inspeção, que permitirá monitoramento contínuo do gasoduto ao longo de sua vida útil. A estrutura também pode receber pintura camuflada para melhor integração visual à paisagem local.
Ganhos ambientais, logísticos e de expansão futura
Uma das principais vantagens destacadas pela Liderroll é a expressiva redução de impacto ambiental. Enquanto métodos tradicionais exigem faixas de domínio superiores a 15 metros, a estrutura proposta necessita de apenas 1,4 metro para um único duto, ou até 2,5 metros para suportar quatro linhas simultaneamente.
Essa característica elimina a necessidade de múltiplas aberturas de faixa no futuro. A mesma estrutura pode receber, posteriormente, dutos adicionais de 14, 24 e 28 polegadas, ampliando a capacidade do sistema sem novos cortes de vegetação. A instalação de novas linhas levaria cerca de 15 dias, conforme estimativas apresentadas pela empresa.
Outro ponto crucial é a segurança. Com a tubulação sendo lançada a partir da base da montanha, as frentes de trabalho não precisam se posicionar em encostas instáveis ou operar máquinas pesadas em terrenos inclinados, reduzindo significativamente o risco de acidentes e garantindo integridade nas soldas.
Solução alinhada ao contexto regulatório
A discussão sobre o Subida da Serra ocorreu durante intenso debate regulatório envolvendo ANP, Arsesp e Comgás acerca da classificação do gasoduto. Nesse cenário, a metodologia proposta pela Liderroll pode atender a requisitos técnicos mencionados na minuta de acordo, como controle de acesso e prevenção de derivações indevidas.
Conforme Paulo Roberto Gomes Fernandes, a empresa destacou ainda que a estrutura treliçada pode ser blindada externamente com chapas de aço, caso solicitado, garantindo proteção adicional ao duto e reforçando mecanismos de segurança operacional.
Demonstração em audiência pública
De acordo com Paulo Roberto Gomes Fernandes, durante a audiência, a Liderroll apresentou um vídeo de três minutos com o protótipo em escala real, demonstrando deslocamentos de tubulação em ângulos de 0°, 35°, 70° e 90°, evidenciando a capacidade da solução de operar em situações extremas. O gasoduto Subida da Serra utilizará tubos de 20 polegadas, diâmetro inferior ao empregado nos testes.
Autor: Diana Meister
